Economia, entenda melhor a Teoria Donuts

Modelo econômico busca trazer uma visão sustentável para a sociedade. Se você se preocupa com sustentabilidade, economia criativa e tudo o que envolve estas questões socioeconômicas, você já ouviu falar sobre a Teoria Donuts.

Com a pandemia de COVID-19, líderes de todo o mundo passaram a notar que é preciso repensar as formas de consumo e vivência para manter o mundo saudável.

E é a partir dessa necessidade que surge a Teoria Donuts. A ideia traz como analogia a figura de uma rosquinha, fazendo uma relação entre os limites planetários e a qualidade de vida para todos. Isso inclui todas as questões de investimentos como previdência privada, reserva de emergência, reeducação financeira e muito mais.

Aqui neste artigo, vamos explicar o que é a Teoria Donut e quais são os primeiros impactos e experiências desse conceito pelo mundo.

O que é a Teoria Donut?

A Teoria Donut é um conceito criado pela economista britânica Kate Raworth da Universidade de Oxford. A primeira vez que o termo foi citado pela economista foi na obra “Economia Donut: Sete maneiras de pensar como um economista do século 21”.

Basicamente, Kate buscou incluir os limites planetários na concepção de uma teoria econômica de desenvolvimento. Como falamos acima, a analogia com um donut busca nos mostrar que o orifício do meio da rosquinha representa os aspectos sociais necessários para a manutenção da qualidade de vida e a borda representa os limites planetários.

A principal característica desse conceito é que ele considera o desenvolvimento econômico sustentável como necessidade. E para isso, valores como saúde, educação e equidade são impactados negativamente quando os limites planetários são ultrapassados.

O objetivo da Teoria Donut é reconstruir os limites econômicos da sociedade mundial. Uma economia próspera e sustentável se dá quando todos os aspectos sociais são atendidos sem que nenhum limite planetário seja posto em risco.

Kate Raworth estipula os aspectos sociais importantes com base nos 17 objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS), que são:

  • Saúde
  • Segurança alimentar
  • Renda e Trabalho
  • Educação
  • Voz política
  • Igualdade Social
  • Igualdade de gênero
  • Paz e Justiça
  • Habitação
  • Água
  • Energia
  • Vida em sociedade

Kate também determina nove limites planetários que devem ser respeitados pela sociedade mundial, são eles:

  • Poluição do ar
  • Perda de biodiversidade
  • Acidificação dos oceanos
  • Poluição por nitrogênio e fósforo
  • Excesso de água doce
  • Mudanças climáticas
  • Poluição química
  • Destruição da camada de ozônio

Conversão de terras (a conversão de terra para atividades econômicas em estradas ou campos agrícolas, por exemplo, afeta o habitat de vida selvagem e interrompe ciclos naturais.

Raworth explica que a Teoria Donut busca entender as necessidades de atender a todos dentro das possibilidades do planeta. A economista propõe esse sistema em seu livro “Economia Donut, uma alternativa ao crescimento a qualquer custo”.

O livro é dividido em sete capítulos e em cada um deles Kate analisa estes pontos críticos da economia dominante e a obsessão pelo crescimento a qualquer custo e mostra como isso afeta a sociedade como um todo.

Uma das propostas da Teoria Donut é contemplar riquezas produzidas dentro de casa e a aposta na economia circular, que é um sistema distributivo e colaborativo.

Amsterdã é a primeira cidade do mundo a adotar a Teoria Donut

Amsterdã é uma cidade conhecida por ser a frente do seu tempo e mais uma vez o local sai na frente dos demais. As autoridades políticas da capital holandesa estão construindo um novo modelo econômico para a cidade em conjunto com Kate Raworth.

E com isso a cidade vai adotar a Teoria Donut em seu modelo de reconstrução econômica. No último dia 15 de setembro, a prefeitura de Amsterdã declarou publicamente que assumiu o compromisso de realizar políticas públicas com base na Teoria Donut.

“Acredito que este modelo vai nos ajudar a superar os efeitos da crise” afirmou Marieke van Doorninck, prefeita de Amsterdã.

Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Marieke ressaltou que “Pode parecer estranho que neste momento delicado esteja se falando sobre o que vai acontecer depois, mas este é o meu papel como governante. Isso vai nos ajudar a não voltar a padrões anteriores”.

Kate afirmou que em um momento em que é preciso se preocupar com o clima, a saúde, empregos, habitação e a sociedade, é preciso contar com o modelo da economia Donut que está pronto para ser colocado em prática.

Na aplicação do modelo em Amsterdã, Kate apontou as principais necessidades básicas da cidade no momento. A economista apontou soluções para o problema habitacional da capital holandesa que possui cerca de 20% de sua população pagando aluguel.

A solução mais óbvia para resolver esse problema é investir em um programa de habitação popular, mas Amsterdã está com níveis altos de emissões de dióxido de carbono. Então, a prefeitura já se movimenta para regulamentar o uso de materiais naturais e reciclados neste programa.

A economia Donut é um movimento que tende a ser crescente nos próximos anos. Em um mundo assombrado pelos problemas climáticos que tendem a piorar num futuro próximo, repensar o modelo econômico é fundamental para a sobrevivência e bem-estar de todos.

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