Fofoca no trabalho: por que você deve escapar dela

A fofoca pode prejudicar a reputação do ofendido, mas também causar efeitos significativos em quem espalhou os boatos.

Fofoca no trabalho

O clima organizacional é fundamental para o bem-estar de todos os envolvidos em uma organização. Dizemos que ele se trata do conjunto de valores e práticas que compõem uma empresa, mas não só. O clima organizacional parte, geralmente, do prisma dos colaboradores.

Assim, podemos dizer que é a forma através da qual um trabalhador observa o seu local de trabalho, o comportamento das lideranças, o retorno que a empresa tem gerado para a sua vida cotidiana e bem-estar.

Como não poderia deixar de ser, o esperado é que o funcionário veja a companhia como um espaço seguro, onde pode falar sem medo de ser censurado ou ridicularizado, e onde se respeitam normas de educação, respeito, tolerância e gentileza.

Espera-se que a comunicação, dentro de uma instituição, seja sempre clara e direta, mas cuidadosa. A chamada comunicação não-violenta, nesse ínterim, é a mais desejada: não é o que se fala, mas como se fala. É possível criticar sem gerar mágoa, assim como é possível elogiar sem beirar o assédio ou a falta de respeito.

O RH deve desenvolver métodos para que os funcionários estejam sempre alinhados às práticas éticas, além de fornecer um canal através do qual as pessoas podem, sempre que se sentirem ameaçadas ou desconfortáveis, buscar ajuda.

Uma das coisas que mais atrapalha a harmonia do coletivo é a criação de fofocas, as quais podem gerar não apenas modificação significativa nas relações estabelecidas, mas impacto negativo na autoestima, na saúde mental e nas percepções do indivíduo afetado por elas.

Falaremos, a seguir, as razões pelas quais a fofoca pode ser destruidora - mesmo! - para trabalhadores e para a própria empresa.

Fofoca: por que é um problema?


Primeiro, porque geralmente é uma inverdade. As fofocas vêm de fontes múltiplas, as quais possivelmente têm um motivo para aumentarem ou mesmo inventarem histórias acerca de uma pessoa, de um grupo de pessoas ou de uma situação.

Para conseguirem alcançar um objetivo específico, que muitas vezes fica nublado para quem recebe as informações falsas e as passa adiante, os “fofoqueiros iniciais” precisam da ajuda de terceiros. Assim, eles descobrem um jeito de envolver a todos em uma teia de mentiras.

Parece maquiavélico, mas não é nada incomum. Às vezes, as fofocas surgem para tentar “derrubar” alguém, que pode ser melhor sucedido, ter destaque no trabalho, ser muito elogiado pelos superiores - o que inclusive pode gerar uma narrativa perigosa - ou simplesmente um desafeto.

Há, infelizmente, quem não tenha escrúpulos e que, para gerar efeitos negativos em alguém, não medirá esforços. Fazer isso sozinho, porém, é improvável. Essa pessoa precisa de ajuda, e possivelmente o fará através de outros companheiros de trabalho, nem sempre cientes da situação delicada na qual estão se colocando.

Além de ser, literalmente, utilizado para realizar os objetivos por vezes nefastos de terceiros, os colaboradores que se envolvem ou disseminam fofocas estão colaborando para:

A perda da qualidade do serviço coletivo


Mentiras acerca de uma pessoa ou organização geram profunda desconfiança. Outros trabalhadores podem, a partir de uma informação exagerada ou irreal, começar a desconfiar da capacidade de liderança de alguém, por exemplo.

A partir daí, surge a desmotivação, a dificuldade para seguir ordem, as mudanças na comunicação e, em geral, a perda da produtividade. Tudo isso, além de gerar problemas para a vida profissional dos indivíduos, é um grande problema para a companhia.

Problemas de saúde mental


Ser alvo de fofocas é, para muitas pessoas, uma situação terrivelmente desagradável e que provoca efeitos severos não apenas no bem-estar, mas na saúde mental. Sentir-se injustiçado, incapaz ou vítima pode gerar quadros de ansiedade generalizada, depressão e burnout.

Falamos sempre sobre a importância de cuidarmos uns dos outros, visto que vivemos em uma sociedade e precisamos de nossos amigos para tudo. Desconsiderar esse cuidado no ambiente de trabalho é, além de moralmente dúbio, bastante desumano.

Demissões


Por fim, é preciso que pensemos: quantas pessoas que conhecemos já foram prejudicadas o suficiente para decidir deixar um emprego? Quando estar em uma companhia se torna insustentável, há quem prefira deixar tudo para trás, mesmo com as perdas gigantes que vêm com isso.

Além da demissão voluntária, há relatos de pessoas que foram demitidas por conta de fofocas, nem sempre comprovadas. Assim, é preciso que pensemos: vale a pena espalhar uma informação sem que ela seja investigada pelas instâncias necessárias?