26/06/2017 09h59 | Por: Natália Souza

Tororó do Rojão, o Chaplin do Forró Alagoano

Manoel Apolinário, como era batizado, está entre os grandes forrozeiros de Alagoas. Ele chegou a tocar com Luiz Gonzaga.

Texto de: Natália Souza
Tororo Do Rojao1 (Foto: Renata Voss)

Renata Voss

Figura lendária do forró alagoano, Tororó do Rojão fazia jus ao nome artístico. “Pipoco do trovão”, uma força da natureza, uma “explosão” de carisma, ritmo, verso e prosa que cantava xote, forró, baião, coco de roda, entre outros ritmos da cultura nordestina.

Batizado pelo nome de Manoel Apolinário da Silva, Tororó do Rojão não só chamava atenção pelas  letras de suas músicas, que misturam humor, frases com duplo sentido e poesia, mas sua presença de palco era marcante, tanto que sua desenvoltura lhe rendeu o apelido de “Chaplin do Forró”, em alusão ao ator e comediante britãnico Charles Chaplin, durante uma apresentação em homenagem aos músicos da Orquestra de Câmara de Moscou, em 1993.

Tororó era natural do município de Matriz de Camaragibe, Zona da Mata alagoana, mas se mudou para Maceió ainda muito jovem, por volta dos 10 anos de idade. Na capital, ele trabalhou em casa de família e conseguia “tirar um trocado” passeando com cachorros das donas de casa.

Sua baixa estatura e habilidades com as pernas se refletiram, inicialmente, no futebol. Tororó chegou a jogar no Sport Clube de Alagoas. Com pouco estudo, ele só chegou a completar o primeiro grau, que agregado a sua vivência, foi suficiente para compor músicas e repentes. 

(Ouça abaixo a música Minha Canção de Tororó do Rojão)

Tororo Segura Menino Verso Baixares

Tororó do Rojão ainda trabalhou como servente de pedreiro, mecânico e na Petrobras, onde se aposentou. A partir daí começou a se dedicar somente à música, se apresentando em programas de calouro em rádio, como o de Odete Pacheco.

Sua paixão pelo forró era tão grande, que conseguiu um emprego de motorista do Rei do Baião, e logo menos já estava no palco tocando triângulo com Luiz Gonzaga.

Gravou quatro discos, sendo dois LPs e dois CDs e foi um dos grandes parceiros de Jakcson do Pandeiro, a quem, segundo o blog Balaio de Fatos, o chamava de parceiro-irmão.

Tororó do Rojão morreu aos 75 anos em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral hemorrágico, no ano de 2011. Ele deixou um legado enorme para o forró alagoano e chegou a ser homenageado in memorian pela Câmara Municipal de Maceió, naquele mesmo ano.

Discografia:

LPs

Tororó do Rojão e Nelson do Acordeom – Aqui Tem Forró (1979)

Segura Menino (1981)

CDs

O povo não quis acreditar (2004)

Sem Retoque (2007)



 Com informações do Balaio de Fatos, Over Mundo, Forró Alagoano e História de Alagoas.