27/08/2017 19h33 | Por: Natália Souza

Chá de Memória traz Audálio Dantas para falar sobre "Notícias de Alagoas"

Alagoano residente de São Paulo volta a visitar a terra natal no ano de seu bicentenário.

Texto de: Portal do Bicentenário
Jornalista Audalio Dantas

O próximo Chá de Memória, que será realizado na terça-feira (29), terá como palestrante o jornalista alagoano e Tanque D'Arca, Audálio Dantas. Residindo em São Paulo há mais de cinco décadas, ele vem a Maceió nessa ocasião especial do Bicentenário de Alagoas para falar sobre "Notícias em Alagoas".

Escritor e poeta, Audálio Ferreira Dantas nasceu em 1929, na cidade de Tanque D'Árca, no agreste de Alagoas. Tipicamente brasileiro, o alagoano se encaminhou para a área do Jornalismo, na década de 50, de forma acidental. Filho do comerciante Otávio Martins Dantas e da dona de casa Rosalva Ferreira Dantas, o escritor possui dois irmãos, é pai de quatro filhos e casado há 26 anos com Vanira Kunc.

Audálio permaneceu até os cinco anos, partindo, posteriormente, com sua família para a cidade de São Paulo, em 1937. Dois anos depois, logo após a separação de seus pais, o poeta retornou com a mãe e os irmãos à cidade natal e se reunindo com outros familiares. Na escola, Dantas se encantou com a leitura e as obras de Jorge Amado, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz, além de seu preferido, Graciliano Ramos.

Algum tempo depois, a mãe de Audálio voltou para São Paulo e em 1944, aos 12 anos, ele recebeu um pedido para encontrá-la. Durante a viagem de ida até sua mãe, nascia – sem saber – um futuro repórter, que por dez dias, observou a movimentação da viagem. Ao chegar no destino e retomar os estudos interrompidos, o alagoano foi aprovado em um teste para mudar de nível da escola, o qual surpreendeu seus professores.  

Carreira

Aos 13 anos, Audálio conseguiu sua primeira ocupação e aos 17 já iniciava o laboratório fotográfico, em um segundo emprego. A experiência adquirida nesse último, lhe permitiu sua primeira experiência profissional mais próxima do jornalismo, que foi no Jornal Folha da Manhã, em 1954, revelando fotos de Luigi Manprim. Não demorou muito tempo, o escritor já estava indo às ruas e acompanhando repórteres, o qual passou a escrever sobre essas aventuras, intitulada O Vale do Itajaí.

Dois anos depois, em 1956, o repórter apurou uma matéria acerca da Usina de Paulo Afonso, na Bahia. No ano seguinte, apresentou uma série de reportagens sobre o litoral brasileiro, entre São Paulo e Maranhão. No outro ano, Audálio decidiu quem seria a personagem daquela que considera a reportagem mais importante até os dias atuais, relacionada ao livro Tempo de Reportagem, a Leya.

Nesse tempo, como uma aposta a reportagens de destaque, a Folha ajudou a moldar o perfil de Audálio, apresentando-lhe como destaque entre os colegas de profissão. Em 1959, o escritor foi convidado a integrar a equipe da revista O Cruzeiro, deixando para trás seus anos na Folha. Através da revista, o alagoano viajou para Argentina, Equador, Peru e o México.

No ano de 1966, Audálio trocou a revista O Cruzeiro pela Quatro Rodas e foi ser editor de Turismo. Em uma de suas produções, o jornalista virou correspondente da revista Veja, em uma guerra que acontecia em Honduras. Em 69, mudou para a revista Realidade, onde passou a produzir matérias sobre as revoluções econômicas e sociais de Minas Gerais.

Após iniciar no jornalismo, o auge de Dantas como repórter aconteceu nas décadas de 60 e 70. Em 75, após assumir a Presidência do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo o escritor viu sua vida mudar totalmente. Sua carreira sindical aconteceu na época considerada mais difícil da ditadura militar, a qual culminou em diversos brasileiros lutando pela redemocratização do Brasil.

Entre a população que lutava estava Vladimir Herzog, em outubro de 75, autor de uma lembrança triste na qual foi considerado um apoio aos jornalistas e àquela sociedade que lutava por democracia, justiça e liberdade. Dentre as informações que saíram na época, foi que ele teria sido sofrido torturas e tinha sido assassinado, porém a versão dos militares foi que ele teria cometido suicídio.

Danta ainda se aventurou pelo mundo da política ao concorrer a um espaço na Câmara Federal pelo estado de São Paulo, elegeu-se e foi considerado o melhor deputado e um dos dez mais influentes do país. Durante alguns anos posteriores, o jornalista passou de presidente do Sindicato para presidente da Fenaj, da Imprensa Oficial de São Paulo, conselheiro curador da Fundação Cásper Líbero e da Fundação Ulysses Guimarães, além de participar de congressos, seminários, conferências, palestras e debates.

Entre suas obras estão Graciliano Ramos, O menino Lula, A infância de Ziraldo e um livro sobre  Vlado Herzog.