08/12/2017 10h48 | Por: Natália Souza

O chão popular de Pedro Teixeira de Vasconcelos

A popularidade de Pedro Teixeira fez dele o intelectual mais querido entre os produtores de folguedos de sua geração.

Texto de: ALmanaque 200 - mês de outubro
Card Personalidade Pedro Vasconcelos

Pedro Teixeira nasceu em 12 de outubro de 1916 na casa-grande do Engenho Bom Sucesso, em Chã Preta, na época o município ainda era distrito de Viçosa. Menino de engenho, cresceu entre o Bom Sucesso, do avô paterno, e o Medina, de seu pai. 

O entusiasmo pela cultura popular começou cedo, na convivência com os brincantes, tocadores de viola nos célebres desafios nos alpendres do Medina, ou em contatos com os mestres de folguedos, com os cantadores de pagodes e com as pastorinhas do presépio.

 

O SEMINÁRIO E A MENINA-MOÇA

Entrou no seminário de Maceió em 1929, e ele mesmo fala sobre sua vocação: “Fui para o seminário metropolitano, de onde somente saí em julho de 1933, fugido até, impressionado com o meigo olhar de Olívia, menina-moça que bulira com meu coração de adolescente. Terminou este episódio com um célebre purgante de óleo de rícino com as 7 sementes concentradas, que a tia Iaiá preparou, julgando que o sobrinho estivesse doente de verdade. Mamãe castigou-me com mais um ano de batina”.

 

MAGISTÉRIO E BRINCANTES

Começou a vida profissional como professor, em Viçosa, logo depois de concluir o curso Normal, em 1936. Em 1953 defendeu a cátedra de professor de francês e foi o primeiro diretor da Escola Técnica de Viçosa. Veio para Maceió, em 1960, para ser inspetor regional de ensino e professor de francês na escola pública. 

Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e da Comissão Alagoana de Folclore, deixou livros e vários artigos em publicações culturais. Mas seu maior mérito foi ter trazido para dentro das escolas a prática dos folguedos populares, garantindo sua permanência em um momento em que os grupos autênticos estavam em extinção.

 

ANIMADOR DE PASTORIL

Formava grupos que ele mesmo ensaiava em diversas escolas de Maceió, Viçosa e Chã Preta. Alegre e de fácil comunicação, foi um grande animador de pastoril e de presépio. Na Praça Silvério Jorge, na década de 1970, foram inúmeros os embates entre as pastoras do azul e as do encarnado, tendo o professor como animador do encarnado e o locutor Luiz de Barros defendendo o azul.

Lecionou até falecer em 12 de junho de 2000, em Maceió, quando ocupava a presidência da Comissão Alagoana de Folclore.

 

A LÍNGUA DOS MESTRES

 

A popularidade de Pedro Teixeira fez dele o intelectual mais querido entre os produtores de folguedos de sua geração, falando a mesma linguagem dos mestres e apadrinhando os jovens que se interessavam em participar dos grupos por ele organizados nas escolas públicas ou nos grêmios católicos por todo o Estado.

 

Menino ainda, assisti a diversas apresentações do reisado. A primeira foi de um que veio de Quebrangulo e dançou na casa-grande do Medina” 

Pedro Teixeira, em Andanças pelo Folclore

 

Em 1962 comecei a organizar os primeiros Grupos Folclóricos, contando, para isso, com a ajuda incondicional das diretoras dos grupos escolares”.

Publicações

Sobrevivência da lúdica folclórica em Alagoas  (1976) . Coautoria com José Maria Tenório Rocha

Folclore, dança, música e torneio (1978)

Andanças pelo Folclore (1998) 

Lendas e “causos” da minha região (2000)

Leia mais no nosso ALmanaque 200 do mês de outubro: A revolução de Nise da Silveira